Seu guarda-roupa está sempre lotado mas você vive dizendo que não tem roupas para usar. Certo? Se este é o seu caso, saiba que você não está só. A maior parte das pessoas hoje nutrem este mesmo sentimento quando abrem as portas do armário antes de se vestir.

Mas por que será que ainda temos este tipo de pensamento? Por que perdemos o hábito de repetir roupas, de levar para fazer reparos ou de reformá-las?

Se ao nos vestirmos, fizéssemos uma viagem no caminho inverso e entrássemos nos corredores da cadeia produtiva, tenho certeza que mudaríamos de idéia e passaríamos a valorizar um pouco mais o que temos. Por quantas mãos passou a sua roupa até chegar ao seu armário? Você sabe? E quais os rastros ela deixou para trás?

Coleção atual de Daniela Gregis

Todas estas questões estão diretamente ligadas ao nosso consumo e suas consequências.

No Brasil, anualmente são confeccionadas mais de 6 bilhões de peças e a isso adiciona-se mais outros tantos milhões de peças importadas. Deste total, quanto realmente tem vida longa? Quanto vai para os aterros? Por aqui ninguém sabe, mesmo porque ainda não existe nenhuma pesquisa quantitativa neste sentido.

Mas do outro lado do Oceano Atlântico, não só estão trabalhando para implantar uma economia circular na indústria da moda como também já avançaram muito neste sentido.

Recentemente, em uma pesquisa realizada com consumidores da Inglaterra pela Waste&Resources Action Programme, constatou-se que os habitantes britânicos consomem anualmente cerca de quatro mil libras somente na aquisição de roupas e que 30% do total destas compras morrem no armário sem sequer serem usadas. Também descobriram que cerca de 1/3 delas vai literalmente para o lixo, sendo que a maior parte delas teve apenas um único dia de uso na sua curta trajetória entre a loja e o guarda-roupa. Em resumo, 2/3 do que é adquirido novo é descartado. Isto sem contar os calçados e outros tipos de acessórios.

Fast Fashion

Mas para reverter este quadro desastroso de consumo, basta mudar algumas das suas atitude na hora de sair às compras e também no seu dia-a-dia. Eis que são:

INICIE UMA REVOLUÇÃO 

Esta revolução tem que acontecer de dentro para fora. Mude a forma como você olha para as suas roupas. Todas elas tem o seu devido valor, seja pelo tecido, pela forma, acabamento ou pela sua origem (marca). Você tem que amar as suas roupas sejam elas usadas ou novas. O que pode ser feito por ela quando não deseja mais usar? Venda, troque, reinvente, use a sua criatividade para dar um bom destino para suas roupas. Mas jamais jogue no lixo antes de pensar no seu destino.

lilycole-cc

REPARE, NÃO SUBSTITUA

Você já passou a valorizar o que tem no seu armário, agora, o próximo passo é verificar quais peças estão precisando de reparos. Muitas vezes, deixamos de usar uma roupa e a descartamos apenas porque caiu um botão. Hoje é fácil resolver este tipo de reparo, já existem lojas especializadas que fazem todo tipo de serviço e que pode facilitar a sua vida. Se não quer gastar, faça você mesmo, na internet você pode encontrar uma série de tutoriais que vão te ajudar neste sentido e, para quem ama se vestir bem, fazer com as próprias mãos tem um gostinho especial. Peças renovadas, economia no bolso.

“Temos que nos comportar como donos, não como consumidores e reparar é algo bom para o planeta. Temos sempre que comemorar o esforço de tentar consertar alguma coisa.” ROSE MACÁRIO, CEO da marca Patagônia.

 

LUTE CONTRA O FAST FASHION

Este modelo de consumo descartável, infelizmente, não para de crescer. Além de contribuir para a degradação do meio ambiente também desvaloriza a mão de obra e cria um ciclo de pobreza nos países onde são confeccionadas. Visando apenas o lucro, criam campanhas publicitárias que atraem o consumidor apenas pela beleza pois a qualidade passa bem longe destas lojas.Eles querem fazer você engolir a idéia de que estar na moda é comprar roupas novas todos os dias quando na verdade estar na moda é ter atitude e se transformar.
Não caia nesta armadilha, questione o fabricante, exija mais qualidade e menos tendências. Uma coleção por semana já se tornou inviável para o planeta terra.

Coleção Moschino inspirada no fast food

PROLONGUE O USO

Antes de descartar qualquer roupa procure outros caminhos para prolongar a sua vida.
Já falei anteriormente sobre pequenos reparos, mas aqui vou sugerir que você transforme suas roupas. Reformar é um caminho para quem quer dar uma cara nova para uma roupa. Customizar é outra ideia que pode transformar completamente uma peça. Mudar de cor também é uma opção. Procure uma costureira, use toda sua criatividade e imprima o seu estilo. Só assim vai conseguir prolongar a vida das suas roupas.
Se descartar for a sua sentença, ao invés de jogar no lixo, prefira doar ou trocar com as amigas.

“A moda é sobre o amor pelas roupas e estilo é a capacidade desta roupa de se adaptar ao seu corpo. Nada melhor do que ter confiança e reformular uma peça para parecer nova.” ORSOLA DE CASTRO, co-fundadora do Fashion Revolution.

ESCOLHA MELHOR

Antes mesmo de sair às compras, faça uma pesquisa e descubra o que as suas marcas favoritas tem de positivo. Descubra o que estão fazendo para se tornarem mais sustentáveis e éticas. Questione, deixe-os saber que você quer roupas melhores e não roupas descartáveis.
Nem todos conhecem tecidos, mas é sempre bom descobrir a sua origem, do que é composta, onde foi processada. Tecidos de qualidade são mais duráveis, desgastam menos e demoram para perder a cor.
Dê preferência para os modelos atemporais, seu corte clássico pode te ajudar a compor diferentes looks e você vai estar sempre bem-vestida.
E lembre-se sempre, o barato sai caro. Prefira uma peça de qualidade a dez baratas. Valorize o seu dinheiro.

Westwood-Vivienne-consumo-consciente

APOIE MARCAS REVOLUCIONÁRIAS

Hoje, no Brasil, temos muitas opções de marcas que nasceram com o compromisso de preservar o meio ambiente, não utilizar trabalho escravo, não causar sofrimento aos animais, entre tantos outros itens que as tornam revolucionárias pela forma como são concebidas.
Então, pesquise, descubra o que estão fazendo e principalmente, ao se identificar com uma marca, elogie nas redes sociais, compartilhe com amigos e familiares, demostre a sua satisfação.
A permanência destas marcas no mercado depende do nosso apoio e da nossa gratidão.

Svetlana

Como perceberam, mudar de atitude não é tão difícil quanto aparenta. Todos nós podemos e devemos mudar a forma como consumimos. Basta colocar em prática um passo de cada vez.

 

Fotos: Pinterest