Trabalhos em estamparia têxtil manual com técnicas originárias de grupos étnicos ameaçados de extinção.

A arte entrou muito cedo no caminho da artística plástica Cecilia Panipucci. Nascida em Buenos Aires, a artesã é praticamente autodidata. “A vida me emprestou grandes mestres ainda na Argentina: Adolfo Perez Esquivel (Educação artística), e Amália Cuevas (Cerâmica). Aqui no Brasil, conheci Otávio Roth (Papel feito a mão), Celso Lima (Estamparia têxtil manual) e Eloisa Remedio (Papel Machê)”, revela.
10678630_861968683822934_4169916865290810195_n
Atualmente, Cecília dedica-se a duas frentes: em seu ateliê Quitanda de Iaiá – Arte Brasil podem ser apreciados trabalhos em estamparia têxtil manual e pintura sobre tela e papel, usando técnicas manuais, vindas da Indonésia e África Ocidental. Suas pesquisas têm um olhar para grafismos indígenas e africanos, o que resultam em peças inspiradas em diferentes etnias e culturas. “Meu objetivo é trazer beleza agregada à composição. O resultado é esse: a beleza vai além da técnica e da criação do artista. São valores simbólicos, cores e formas reinterpretados”, completa. De acordo com Cecília, para o povo nagô, belo é tudo que é bom, bonito e útil.

Por meio das cores, das formas, dos símbolos e da arte é possível identificar a essência do trabalho, não importa o significado de cada de obra, mas sua beleza, que traz a força de unir o usável e o belo.

Acredito que as pessoas gostem de trabalhos que tragam em si um sentimento de identidade, de pertencimento”.

Cecilia Panipucci

Entre as peças estão mantas, cobertas, tecidos acolchoados para paredes, capas para almofadas, caminhos de mesa, panos para sofás, xales, echarpes e panos de cabeça. “A produção é manual, artesanal. Cada peça é única. Cada jogo americano, mesmo parecendo igual, foi estampado de forma artesanal”, explica.

A artesã faz todo o trabalho: criação, lavagem do tecido, corte, estampa, tingimento, acabamento, acolchoado (quilting) e as pinturas.

Técnicas
No batik javanês e nigeriano, o processo de estampar utiliza máscaras de cera de abelha aplicadas sobre o tecido e sucessivos tingimentos.

O adire-alabere, técnica executada na África Ocidental, produz padrões conseguidos por meio de costuras, amarrações e tingimentos. Um trabalho artesanal feito por grupos étnicos ameaçados de extinção, com um dos processos mais ricos de estamparia.

A maioria das estampas criadas e executadas em batik javanês e adire-alabere sobre seda e algodão e as telas são para atender encomendas. São trabalhos personalizados, criados a partir de uma pesquisa. “Sempre tenho alguns trabalhos prontos para mostrar no ateliê e também para vendas pelo site”, completa. “Recebo as pessoas interessadas com hora marcada e em alguns eventos divulgados no blog, no Facebook ou no site. As encomendas acontecem num bate papo com cafezinho, onde o cliente me conta um pouco o que deseja. Assim, depois de conversa, café, anotações e pesquisa, chegamos a composição”, finaliza.

Saiba mais sobre a arte de Cecilia Panipucci, clicando aqui.
Fotos e Vídeos: Cecilia Panipucci